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Arquivo para novembro 2011

POR QUE COMEMORO O NATAL!

Pr. Edson Tinoco da Costa

Dez, 2010

            Nunca me ocorreu que o Natal se tornasse um assunto polêmico para a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, mas parece-me que o povo de Deus não consegue viver sem polêmicas, embora o apóstolo Paulo recomende o contrário. O problema é que somos polêmicos entre nós mesmos e não contra as práticas de uma sociedade corrompida pelo pecado. Enquanto polemizamos a respeito do Natal, a sociedade brasileira cada vez mais necessita de presídios (já temos o Bangu 8), de policiais, de delegacias, de sepulturas, de IML, de seguranças, de muros, de carros blindados, de câmaras que interferem em nossa privacidade…

            Quero responder à pergunta “por que comemoro o Natal?”. Talvez você se apresse em dizer: – “Mas não lhe fiz pergunta nenhuma!”. Concordo, contudo é possível que você não saiba responder à pergunta que lhe faço: – “Por que você comemora ou não comemora o Natal?”.

Somos uma geração que desaprendeu refletir, pensar, porque temos tudo, ou quase tudo pronto, à nossa disposição para consumo. E quando algo se quebra ou não funciona mais, não queremos ter o trabalho de consertar, preferimos trocar por algo novo. Isso acontece até com os relacionamentos, afinal “a fila tem que andar”. Esse é o tempo do “fast”: “fast-food”, “fast-relationship”, “fast-celebration”, “fast-worship”, “fast-release”, “fast-prayer”…

Esse é o tempo das frases de efeito: -”Diga pro seu irmão isso”, – “diga pro seu irmão aquilo”… e vamos repetindo, irrefletidamente. Quando pergunto a alguém o que significa algumas dessas expressões que ele acabou de repetir, a resposta é: -”Não sei”.

É por isso que, mesmo que você não tenha perguntado, quero dizer-lhe porque comemoro o Natal.

  1. Minha primeira razão é teológica: Deus é eterno.

O nascimento de Jesus (encarnação) foi pactuado antes da fundação do mundo (Ap. 13:8). Deus não fez um plano emergencial para dar uma resposta a Satanás quando Adão e Eva pecaram. Deus sabia que Adão e Eva pecariam e providenciou a redenção da humanidade antes da fundação do mundo, isto é, na eternidade. É certo que Satanás como “querubim da guarda ungido” antes de rebelar-se (Ezequiel 28:12-15, Isaías 14:12-14), possuía posição elevada diante de Deus e certamente conhece muito dos planos de Deus. Ao rebelar-se contra Deus e ser derrotado e lançado na Terra, Satanás tenta na Terra o que não conseguiu no céu: usurpar o que é de Deus. A Terra e sua plenitude, o mundo e os que nele habitam pertencem a Deus (Salmo 24:1; 1 cor. 10:25-26). As festas, as celebrações, o Natal, a Páscoa, os aniversários, as pessoas, tudo pertence a Deus. Desta forma, não é Deus quem copia as práticas pagãs, mas são as práticas pagãs que copiam Deus. Portanto, o Natal é a restituição à humanidade do propósito de Deus, de algo que pertence a Deus. Se a Igreja abolir o Natal estará dando ao inimigo o que pertence a Deus.

Ainda, como argumentação teológica, a Bíblia afirma que Deus é único e que não existem deuses pagãos (João 17:3; Marcos 12:29). Desta forma, a alegação de que a celebração do Natal em 25 de dezembro é prática pagã, alusiva ao Dia do Nascimento do Sol Inconquistável (Dies Natalis Invicti Solis) ou data de nascimento do antigo e misterioso deus iraniano Mitra, é atribuir personalidade de Deus a quem nada é. (1 Cor. 8:4). Não nasci para lançar pérolas aos porcos. Não vou dar honra a quem não tem honra, não vou trazer à existência deuses pagãos que Deus, o único Deus, não criou. E se Deus não os criou, portanto, não existem.

  1. A segunda razão porque comemoro o Natal é Cristológica: o nascimento de Jesus Cristo é um fato histórico, e não um mito.

Rudolf Karl Bultmann, teólogo alemão do século 20, pretendeu demitologizar o Novo Testamento, retirando dele tudo o que é sobrenatural. O nascimento virginal de Jesus, sua morte e ressurreição, seriam considerados, nesse caso, mito, pois são sobrenaturais. A não celebração do Natal implica numa sutil concordância com Bultmann. O perigo da não celebração do Natal é conduzir a sociedade humana ao esquecimento do fato histórico de que Jesus nasceu (Deus encarnado) e o nascimento de Jesus não pode ser isolado de sua morte e ressurreição, pois se Jesus não nasceu também não morreu, e se não morreu também não ressuscitou. Primeiro acaba-se com o Natal, depois com a cruz e por fim com a ressurreição, pois também esta contém práticas pagãs, como o coelho e os ovos de páscoa. Isso é astuta artimanha de Satanás. Recuso-me lutar ao lado do inimigo de Deus.

  1. A terceira razão porque comemoro o Natal é antropológica: o nascimento de Jesus Cristo é a humanização de Deus (João 1:14).

Os homens celebram festas e Deus, na sua “humanidade”, instituiu festas. Jesus mandou que nós celebrássemos a Ceia para nos recordarmos dele. A Bíblia é escassa em referências de festas de aniversário porque não se tinha certidões de nascimento, e porque o tempo bíblico não é cíclico, nem linear. Entretanto, Deus é festivo, alegre, “na sua presença há abundância de alegria”. Deus não quer que nós acabemos com a cultura, mas que transformemos a cultura. A humanização de Deus (encarnação) nos ensina a alcançar a plenitude da natureza humana que foi corrompida pelo pecado. O Natal é a celebração da redenção da natureza humana, da plenitude da natureza humana, pois o alvo é “a plenitude do Varão Perfeito”.

  1. Minha quarta razão é sociológica: o homem se organiza socialmente e essa organização exige a contagem do tempo, mas não se tem uma contagem que seja exata.

Os calendários que pretendem organizar a sociedade em torno da contagem do tempo, não são confiáveis. São meras convenções humanas. Para se ajustar o calendário que organiza a sociedade globalizada, dias, semanas e meses foram desconsiderados. É do conhecimento nosso que Jesus nasceu no ano 6 a.C. Isso já nos conduz a um erro de 6 anos no nosso calendário. Hoje ainda existem o calendário romano, o juliano, o judeu, o chinês, entre outros. É muito provável que ninguém saiba exatamente o dia em que nasceu. Por exemplo: todos os anos o governo brasileiro altera o calendário ao alterar o horário. Se uma criança nasce aos vinte minutos dia 23 de dezembro de 2008, nasceu no dia 23 ou no dia 22? Afinal são 23 minutos do dia 23 de dezembro ou 23:20 h do dia 22 de dezembro? O Tempo Universal Coordenado (UTC) é estabelecido a partir de Londres (Meridiano de Greenwich). Manaus, por exemplo, está à -4 horas de Londres. Suponhamos que o executivo de uma grande empresa estabelecida em Manaus, onde mora o executivo com sua família, seja mandado a Londres para resolver um problema. Viaja deixando a esposa nos dias de dar à luz. Ao chegar em Londres o executivo recebe uma ligação avisando-o do nascimento do seu filho, às 22:30 h do dia 23 de dezembro. O que o executivo dirá para seus amigos em Londres? Seu filho nasceu no dia 23 ou no dia 22 de dezembro. Bem, quando foi mesmo do dia 25 de dezembro? Será que 25 de dezembro foi 25 de dezembro? Se temos dúvidas sobre o dia do nosso próprio nascimento, como discutir o dia do nascimento de Jesus? Deus não se preocupa com datas, mas com pessoas. O tempo de Deus não é cíclico ou linear, mas é “o padrão recorrente em que julgamento e redenção divinos interagem, até que este padrão chegue à sua manifestação definitiva”. É por isso que não sabemos cronologicamente a data da volta de Cristo: não é uma data, é um evento; não é simplesmente um evento, é uma pessoa. O que importa não é o dia em que Jesus nasceu, mas o fato de que Jesus nasceu. A ênfase está na pessoa e não na data. Desta forma, se a data considerada é 25 de dezembro, então para mim está ótimo.

  1. Minha quinta razão é missiológica ou religiosa: a missão da Igreja não é acabar com a cultura, mas transformá-la.

A missiologia chama isso de contextualização. O Evangelho transforma o homem, portanto, transforma a sociedade humana. Uma sociedade totalmente transformada pelo Evangelho deveria transformar toda festividade pagã em celebrações ao único e verdadeiro Deus. Nós sabemos que, tão cedo quanto no segundo século depois de Cristo, Hipólito, um dos pais da igreja, declarou que Jesus nasceu em 25 de dezembro. No quarto século, João Crisóstomo confirmou essa declaração e, então, o dia 25 se tornou tradicionalmente a data oficial aceita pela igreja como o dia do nascimento de Cristo. Essa época foi chamada Patrística ou dos “Pais da Igreja”, os quais deram continuidade ao fundamento apostólico. Foi marcada por muitos concílios para combater heresias. Nenhum concílio discutiu ou aboliu a celebração do Natal. A principal razão porque foi estabelecida a data de 25 de dezembro para o nascimento de Jesus Cristo, foi a contextualização feita pelos Pais da Igreja, pois nessa data se comemorava o nascimento do misterioso deus iraniano Mitra, cujos seus seguidores adoravam-no como o “sol da justiça”, mas antes de Mitra ser adorado como o sol da justiça, o verdadeiro Sol da Justiças já existia, confira em Malaquias 4:2. Logo, o que os Pais da Igreja fizeram foi restaurar a Deus o que é de Deus. Por que daremos o que é de Deus ao Diabo? Se Constantino, Imperador Romano, substituiu a comemoração ao deus-sol (Sol Invictus) pelo nascimento de Jesus Cristo (Sol da Justiça, Malaquias 4:2) ou se isso foi feito por Hipólito em substituição à comemoração do nascimento de Mitra, graças a Deus pela visão desses homens, isso é evidência da transformação de uma sociedade. Como eu gostaria que tivéssemos um governante, verdadeiramente convertido, que no lugar do carnaval celebração três dias de ação de graças ao Deus Criador; que no lugar do dia da padroeira do Brasil, celebrasse o dia do Deus da Provisão para o Brasil; que no lugar da celebração ao são Jorge, celebrasse o dia em que Miguel venceu Satanás e o expulsou do céu. O Senhor Deus mesmo usou o princípio da contextualização quando ordenou aos filhos de Israel que observassem certas festividades. As três principais festividades judaicas, encontradas em Deuteronômio 16, correspondem ao tempo de colheita no Oriente Médio. Nações pagãs tinham seus próprios festivais durante aquele tempo, muitas vezes repletos de rituais imorais…Deus sabia que Israel poderia ser tentado e levado à corrupção e à idolatria das nações vizinhas. Em Sua bondade, Ele deu a Israel dias de festa santificados a serem observados durante aquela época. Ele deu esses festivais para que refletissem Sua verdade, e não mitos pagãos. Os israelitas celebravam a provisão de Deus ao mesmo tempo em que os pagãos celebravam e pediam a seus deuses uma boa colheita no próximo ano. Aleluia! É interessante que boa parte dos evangélicos que estão abolindo o Natal estão cheios de símbolos judaicos em suas igrejas, inclusive celebrando as festas judaicas. Que incoerência!

  1. Minha sexta e última razão é pragmática: Como vimos, o Natal tem sido comemorado pela Igreja do Senhor Jesus Cristo como o dia do nascimento de Jesus desde o final do século II D.C.

Tem sido uma data em que pessoas se convertem a Jesus Cristo. Todo Natal celebrado nas igrejas tem sido em comemoração ao nascimento de Jesus Cristo, o Salvador e não a um deus pagão qualquer. Quantas cantatas celebramos nos presídios, sob olhares cheios de lágrimas de prisioneiros! Quantas celebrações de Natal apresentamos nas ruas! Quantas conversões! Quanta bênção! Quantas crianças só recebem um abraço no dia de Natal! Quantas famílias só colocam uma roupa nova no dia de Natal! Quantas famílias só se aproximam no dia de Natal! E nós, povo agregador, estamos desagregando as famílias com nossa polêmica sobre o Natal. Será que aqueles servos do Senhor que desde o segundo século celebraram o Natal como o nascimento de Jesus Cristo estão no inferno? Afinal de contas adorar a deuses pagãos é idolatria e os idólatras não entram no Reino de Deus. Será que minha irmã Cenyr, meu irmão Silas, meu pai Waldevino, meu filho Adson, todos morreram no Senhor, será que me enganei e todos estão no inferno? Pois todos celebraram e incentivaram o Natal no dia 25 de dezembro. Com certeza todos estão reinando com Cristo. E não adianta me dizer que Deus não leva em conta o tempo da ignorância, pois se é assim é melhor não pregar o Evangelho e deixar o povo ser salvo pela ignorância.

A Igreja foi chamada para a liberdade: “para a liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gálatas 5:1), querem nos algemar outra vez, mas me recuso ser prisioneiro de sofismas, pois Deus me deu poder para destruir fortalezas (2 Cor. 10:4).

Portanto, retire os excessos, santifique sua comemoração, pois todas as coisas são purificadas pela Palavra e pela oração, ligue na terra o que será ligado no céu e celebre seu Natal, dando a Jesus, consumador da nossa salvação, toda honra, toda glória, todo o poder. Feliz Natal !

Vamos a Israel! Caravana em 2013, Você deve se preparar agora!

Começando a pagar em dezembro de 2011, você pode parcelar em 15 vezes. Entre em contato com a Universal Turismo e vamos juntos conhecer a história bíblica onde ela aconteceu!

Será muito bom contar com você!

Folheto Israel e Turquia Pr. Lívio – 04MAR2013

 

Como atrair oportunidades em sua vida*

por Wesley Cavalheiro

Não raro encontro pessoas lamentando não terem oportunidades. Em geral, minha colocação para elas surpreende. Ignoro os óbvios (e necessários) pontos acerca de trabalho duro e preparação. Estas pessoas, de fato, são esforçadas. Algumas até possuem o atributo distintivo de serem “batalhadores”, ou seja, saem em busca de oportunidades. Entretanto, percebo que talvez possam ter perdido o que seja o mais importante: a atração.

Até há algum tempo eu pensava que as oportunidades e o sucesso eram coisas pelas quais corríamos atrás e pelas quais devíamos trabalhar. Um dia descobri que eu precisava me corrigir. Oportunidades e sucesso não são, necessariamente, algo que tenhamos que correr atrás, mas algo que temos que atrair, nos tornando, assim, pessoas que chamam oportunidades.

É por isso que eu estimulo o desenvolvimento de competências. Ao desenvolvermos nossas habilidades, refinando todas as partes do nosso caráter, a nós mesmos como um todo, nossa saúde, relacionamentos, etc., nos tornamos pessoas atraentes ao mercado, fazendo com que as oportunidades venham até nós. Nossa reputação irá nos preceder e alguém irá querer fazer negócios conosco. As possibilidades aparecem em função da filosofia de que sucesso é algo que se atrai.

A chave para o sucesso é ser uma pessoa atraente por meio das habilidades e das disciplinas que temos; da personalidade, do caráter, e da reputação que desenvolvemos; da linguagem que usamos. Refinar todos estes aspectos nos torna pessoas mais sedutoras para o mercado.

Coaching é uma parceria entre um Coach e uma pessoa a fim de desenvolver competências que esta não desenvolve por si própria ou que demandaria mais tempo ou energia para desenvolver. Coaching é um processo que potencializa os resultados.

Desenvolvimento pessoal: uma chance ímpar para aperfeiçoar a nós mesmos, atrair oportunidades, e afetar aos outros.

Medite: 1) Quais os esforços que você tem feito para alcançar o sucesso? Quais os resultados que tem obtido? 2) Quais áreas você tem tido mais dificuldades para desenvolver? Quais os recursos que já utilizou até este momento 3) Você está disposto(a) a se permitir “experienciar” diferentes abordagens (coaching) no esforço de se aperfeiçoar?

Palavras de sabedoria: Desenvolvimento pessoal: uma chance impar para aperfeiçoar a nós mesmos, atrair oportunidades, e afetar aos outros.

Sabedoria da Palavra: Mas o caminho dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. (Bíblia, RA, Provérbios 4.18, contextualizado)

Viva com¥paixão

Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Corporativo, com Certificação Internacional pelo GCC – Global Coaching Community (Alemanha), ECA – European Coaching Association (Alemanha/ Brasil), ICI – International Association of Coaching Institutes, e Metaforum Internacional – Akademie Für Kompetenzentwicklung (Itália/Alemanha/Brasil). Contatos: <Lumen4You.net>

(*) Texto baseado em mensagem de Jim Rohn (http://www.jimrohn.com)

SURPRESAS

SURPRESAS


(Richard José Vasques)

Segundo a Wikipédia, “a surpresa pode ser um sentimentode reação relativo a um acontecimento inesperado. É uma emoção básica que tem a especificidade de poder ser percepcionada pelo indivíduo como positiva ounegativa, dependendo da forma e conteúdo que lhe deu origem.” Algo inesperado, aquilo que não esperamos ver acontecer.

Isso ocorreu na última semana quando, juntamente com um grupo de Gideões Internacionais da Tijuca, no Rio de Janeiro, fomos à uma comunidade já pacificada para distribuirmos os nossos novos testamentos de bolso em algumas escolas públicas ali localizadas. Fomos muito bem recebidos pela direção e pelas professoras. Um fato interessante (1ª surpresa) é que nessas escolas só trabalham mulheres (diretoras, professoras, faxineiras, copeiras). São mulheres guerreiras, embuidas do seu propósito de servir a população mais carente e de dar um novo rumo à vida daquelas crianças.

Enfrentam de tudo. Há casos de alunos, que apesar de serem adolescentes, são grandes e fortes e enfrentam as professoras. Elas têm de “encarar” isso sózinhas, não têm quem as apoie. Imagine-se na situação delas. A escola na qual fizemos a primeira distribuição é muito linda, nova, muito bem equipada. A diretora nos disse que têm todos os equipamentos que precisa, que é uma escola de primeiro mundo. O desafio agora é atrair as crianças a terem uma vida diferente. Por viverem o tempo todo “jogadas” em meio a outros valores, elas têm dificuldade de se adaptar a isso. Algo que não imaginamos (2ª surpresa).

A distribuição dos novos testamentos transcorreu muito bem. Os alunos os receberam alegremente. Ao terminarmos nosso trabalho nessa escola, nos reunimos e um dos meus colegas relatou o seguinte fato, que foi outra surpresa para nós: “cheguei perto de um garoto para lhe entregar um novo testamento, e ele esticou a perna na direção da minha mão. A princípio pensei que ele estivesse brincando comigo, mas logo percebi que ele não tinha os dois braços. Esticou sua perna e com dois dedos do pé direito segurou alegremente o livrinho.”

Do lado de fora da escola algumas pessoas passaram pela rua. Um outro colega ofereceu um novo testamento à uma moça que passou por nós. Ela, de forma educada, o recusou dizendo-se adepta de uma religião (ou seita) que não usa o novo testamento. Disse que não iria lê-lo e que, portanto, o déssemos a outra pessoa, interessada nisso. Esse fato constratou com o menino sem braços. Uma moça perfeita recusando um presente, e um menino sem braços esforçando-se para recebê-lo (4ª surpresa).

Conitnuando nossa jornada, encontramos os demais colegas. Caminhávamos por uma rua da comunidade quando chegou uma viatura da polícia militar. Cumprimentamos os policiais e um deles, um sargento, saiu da viatura e veio falar conosco. Dissemos a ele o que estávamos fazendo e lhe mostramos um exemplar do novo testamento, informando que havíamos deixado alguns exemplares na base deles ali na comunidade, para toda a equipe que lá trabalha.

Ele se identificou, disse ser membro de uma igreja presbiteriana e de repente começou a nos relatar como ocorreu a sua conversão. Ela nos disse que foi um policial muito malvado, matador, corrupto e sanguinário. Matava sem dó nem piedade. Um senhor que pregava o evangelho nos locais onde ele trabalhava foi por ele ameaçado de morte duas vezes. Esse senhor continuou insistindo que ele precisava mudar de vida e receber Jesus em seu coração.

Extremamente irado, nas duas vezes ele colocou a sua arma na cabeça do homem e apertou o gatilho. Simplesmente as armas “travaram” (um fuzil e uma pistola). Estavam funcionando perfeitamente segundo ele, mas naqueles momentos não funcionaram. Ao ouvir isso, sua mãe e alguns familiares se converteram. Depois de algum tempo um colega de corporação também se converteu. Esse colega tinha o mesmo estilo do sargento – “barra pesada”. Ao ver a mudança na vida do seu colega ele também se converteu e mudou de nome, pois agora era uma nova pessoa. Mais uma surpresa. “Se alguém está em Cristo Jesus, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5.17)

Quando imaginávamos encontrar essas situações? Foram surpresas positivas para todos nós. Um dia gratificante, onde pudemos ver vidas transformadas a serviço da comunidade. Segundo o sargento, muitos jovens que vivem ali estão sendo destruídos pelo crack. Essa surpresa foi negativa. E você, que surpresas pode nos relatar (positivas ou negativas)? Felizmente ou infelizmente elas acontecem. Fique ligado. Boa semana.

E-mail: rjv Website: www.rjv.com.br


Guiné Bissau, uma viagem à uma terra esquecida!

Hoje é sábado, 29 de outubro. Estamos num hotel em Praia, cidade de Cabo
Verde. Amanhã retornaremos ao Brasil, depois de 11 dias de viagem missionária à
Guiné-Bissau para ministrar um módulo do Curso de Mestrado no Instituto Bíblico
em N´Tchumbé em parceria com o Seminário Teológico Betel no Rio de Janeiro.

Com grande expectativa, chegamos à Guiné Bissau no dia 18 de outubro e
fomos recebidos pelo Pr. Arlindo Barô, ainda no aeroporto.

A Chegada foi um  pouco tumultuada, pois no aeroporto não há muita estrutura e muitos seguranças  ficam pedindo dinheiro. Mas, graças a Deus, logo após termos nosso passaporte  verificado e recebido o carimbo de entrada no país, ficamos liberados para
apanhar nossa bagagem. Neste momento tivemos uma surpresa indesejada. Nossas
malas estavam muito molhadas, pareciam ter ficado na chuva durante o dia em que
aguardamos em Cabo Verde e, uma caixa de livros que trouxemos para doar, não
chegou.

Pr. Arlindo nos levou para a base da Missão WEC, em Bissau, capital do
país.

Feira em Bissau

Pr. Arlindo e Missionária da WEC em Bissau

Um local aparentemente agradável, onde os missionários usam como ponto de
apoio quando necessitam vir à capital. Seguimos para um restaurante (uma casa
adaptada) senegalês. Apesar de muito simples, um local arrumado com muito
cuidado.

Restaurante Senegalês

Prato Típico de Senegal - Peixe com Arroz, com um toque de arroz queimado

Almoçamos um peixe com arroz, salada de legumes e molho de tamarindo e em seguida, após apanharmos nossa bagagem na Missão e outros materiais, seguimos para N’Tchumbé, local onde se  encontra o Instituto Bíblico.

Vista Geral

Estrada para N´Tchumbé

Foram mais de duas horas de carro numa longa  estrada que corta o país e, terminamos em uma pequena via de barro com muita  lama, 7 km, para ser exato. Finalmente chegamos.

Simão e Raquel - Nossos Hospedeiros - Casal de Deus!

Fomos recepcionados por um jovem e bonito casal. Raquel e Simão estão
casados há um pouco mais de um ano e nos hospedaram com muito carinho. Raquel
tem muitos hábitos ocidentais, pois sua mãe recebeu muita influência de freiras
católicas portuguesas. Isso foi bom para nós, pois a casa é bem arrumada e
limpa, e Simão, sempre muito gentil, procurou nos ajudar para que tivéssemos o
melhor conforto possível. Percebemos que a direção do Instituto procurou
providenciar materiais e alimentos para nos receber bem. Isso muito nos
alegrou.

Ficamos em um pequeno quarto com três camas e uma pequena mesa.
Tentamos acomodar nossas coisas e preparar este que seria o nosso lar pelos
próximos 10 dias. Estávamos animados e felizes, com grande ansiedade para o
início das aulas no dia seguinte.

Sala de Aula

A primeira noite não foi nada fácil, mal sabíamos que dormir seria uma
das questões mais difíceis em Guiné Bissau. O calor abafado, a necessidade do
uso do mosquiteiro e a necessidade de ir dormir às 22h (19h no Brasil), fizeram
com que sofrêssemos algum tempo acordados, até que adormecemos com o cansaço.
Acordamos às 6h, suados e desejosos de um bom banho.

Aula com Lívio

Iniciamos nosso primeiro dia de aulas. Raquel preparou um café com
biscoitos, pão, leite, achocolatado, etc… Sentimo-nos privilegiados e muito
bem cuidados. Pr. Tinoco iniciou o primeiro tempo, começando um trabalho
desafiador de tentar escrever uma teologia africana. Fui com ele e conhecemos
uma animada turma desejosa de estudar: Pr. Arlindo, Sueli (missionária
brasileira e esposa do Pr. Arlindo), Pr. Iabna, Pr. N’Tchambu, Domingas, Mam,
Margarida (missionária brasileira), Pr. Joaquim, Pr. Paulo,  Pr. Carlos, Pr. Março, Pr. Julio e Pr. Seco.
Um grupo animado e disposto ao trabalho.

A sala de aula é pequena, bastante simples. Algumas carteiras e janelas
de madeira que recebem o sol da manhã e o da tarde também, fazendo com em
alguns momentos trocássemos a sala por uma boa sombra embaixo de uma das várias
árvores no pátio do Instituto. Pr. Tinoco trouxe dinheiro para o óleo diesel e
pudemos usar o projetor de slides com o computador em algumas aulas, já que
normalmente, o gerador é ligado apenas das 19h às 22h.

Sala de Aula

Terminamos a primeira manhã de aulas literalmente molhados de suor, o
calor estava muito forte, o que nos fez ter um pedido constante de oração:
“Senhor, refrigera nossa alma!”.

Aula com Pr. Tinoco

Seguimos para o nosso primeiro almoço, uma
experiência que seria desafiadora a cada dia da semana.

Turma de Alunos do Mestrado

Sabemos que nossos irmãos procuraram proporcionar o melhor para nós, mas nesta hora de refeição, fomos confrontados com aspectos culturais muito fortes. No espaço destinado às  refeições, um grande galpão coberto com telhas de zinco, os alunos do instituto
se espalham pelas mesas e pelo chão, com seus filhos e esposas e compartilham
de suas comidas em vasilhas onde cada um com sua mão, leva a comida à boca.

Nós e os alunos do mestrado nos sentamos à mesa e comemos com colheres em pratos
individuais e, sinceramente, demos graças a Deus por isso. Sabemos que é uma
questão cultural e não há nada demais em comer assim, mas realmente precisamos
de mais adaptação para transpor esta barreira cultural.

Alunos do Instituto Almoçando

Falando em mão, precisamos ter muito cuidado com as mãos. A mão direita
é para comer, cumprimentar às pessoas, entregar um objeto a alguém, etc. Já a
mão esquerda é para a higiene. Normalmente não há papel higiênico nas “casas de
banho” (banheiros), apenas vasilhas com água que são usadas após as
necessidades.

A comida foi sempre muito simples, à base de arroz acompanhado de algum
caldo com um pouco de peixe ou miúdos de bode. Comemos todos os almoços com
nossos irmãos e realmente não foi tão ruim. Louvamos a Deus pela fartura de
nosso país.  Geralmente completamos nosso  almoço com um pouco de quitutes que trouxemos do Brasil.

O Instituto de N´Tchumbé

À tarde pudemos conhecer um pouco mais o Instituto. Uma área ampla, tipicamente
rural, de 94 hectares. Na área central da propriedade, temos um prédio bastante
antigo onde acontecem as aulas, quatro outros prédios que servem como
residência para os alunos e professores e mais quatro casas para professores e
equipe de direção. Ao redor da propriedade há várias plantações de amendoim,
mandioca, etc. O Instituto foi fundado por missionários da WEC e entregue à
liderança dos nacionais da Igreja Evangélica em Guiné-Bissau. É um importante centro
de formação de obreiros para o país.

Refeitório e salão de cultos

Prédio da Administração em Construção

Prédio de residência dos alunos

Sala de aula e biblioteca

Cozinha

Além das aulas do curso médio em Teologia, o Instituto mantém uma escola
com 308 alunos, reconhecida pelo governo, para crianças e adolescentes da
região e, também, uma clínica médica que atende cerca de cinquenta pessoas por dia.

À tarde voltamos às aulas e já percebíamos que seria um tempo muito
precioso do agir de Deus na vida de nossos alunos e em nossas vidas também.
Calor, aula, adaptações culturais, saudade, presença de Deus e alegria em
perceber como Deus estava falando aos alunos e a nós também.

Enquanto eu e Pr. Tinoco ensinávamos no mestrado, o Pr. Gerson procurava
facilitar nossa vida, orando por nós. Servindo-nos água e tentando manter a
todos alegres e unidos. Muito obrigado, Senhor, por um amigo e intercessor
neste tempo. Em especial, Pr. Gerson começou a desenvolver relacionamentos com
os demais alunos do Instituto e assim conseguimos tomar conhecimento de muitas
informações sobre o país e a região.

Pr. Gerson à esquerda, Pr. Joaquim e Pr. Tinoco.

Na quinta, 20, à noite, tivemos uma gostosa surpresa, Simão foi à cidade
e ao voltar, trouxe alguns alimentos e com carinho, ele e Raquel ofereceram uma
gostosa sopa de macarrão com carne, um verdadeiro banquete. Como é precioso ver
este jovem casal dando do seu melhor para nos receber.

Jantar com Simão e Raquel

Sexta-feira, 21. Pr. Tinoco propôs aos alunos uma saída para visitarmos
uma Tabanca próxima. As Tabancas na Guiné-Bissau são áreas povoadas por
diferentes famílias de uma mesma etnia. Cada Tabanca tem um líder e é formada
por várias Moranças. As Moranças são famílias de um mesmo pai que constroem
próximas as suas casas. Seguimos então, à tarde para uma visita a uma Tabanca
da etnia Balanta e lá pudemos encontrar um grupo de homens com quem nos
sentamos para conversar.  Entramos  naturalmente em uma morança, que por acaso, é a morança do chefe da Tabanca.

Árvore Sagrada

Entrada da Morança

Morança

Foi um tempo bom, conhecendo bem intimamente a maneira deste povo viver. As
mulheres estavam na lavoura, trabalhando, algo comum de se ver enquanto os
homens estão em grupo conversando.

Pudemos encontrar nessa Tabanca, também, um jovem que estava nos dias do
Fanado. Um ritual típico das etnias, onde os rapazes são circuncidados como
sinal de maturidade, podendo se assentar a partir deste momento, na roda dos
anciãos, dos homens maduros para tratar assuntos com eles. Este ritual é um
grande desafio para a Igreja Cristã em Guiné-Bissau, pois é feito com invocação
de demônios e, se um jovem cristão, convertido, se recusa a participar, ele
perde a herança da família, fica destituído de seu grupo. Esta é uma questão
muito séria, cultural, que a Igreja Evangélica de Bissau precisa ressignificar.

Jovem com roupas do Fanado

Homens da Morança

O Paludismo

Outro tema que surgiu nesta visita foi o Paludismo (malária). Por acaso
o chefe da Tabanca estava acometido de paludismo, muito enfraquecido.
Lamentavelmente, ele ainda não havia buscado socorro médico, o que estava
fazendo com que sua recuperação fosse bastante lenta. Pr. Joaquim, que nos
acompanhava na visita, aproveitou para falar ao chefe de sua responsabilidade
de procurar a clínica, dando exemplo para os mais jovens. E, para esta Tabanca
é mais fácil, pois o Instituto Bíblico de N´Tchumbé mantém uma clínica de saúde
bem próxima a eles. Na verdade, este é um grave problema cultural, pois os mais
antigos acreditam que o paludismo é resultado de alguma ação de espíritos sobre
a pessoa e por isso, devido ao fatalismo cultural não há muito que fazer, só
esperar.

Chefe da Morança

Pr Joaquim falando com o chefe

O paludismo é um grave problema em Guiné-Bissau. Aqui existem pelo menos
3 tipos de malária, incluindo a mais grave, conhecida como cerebral, que
provoca febres fortíssimas e convulsões, podendo levar a pessoa ao coma e até a
morte. Encontramos a missionária Margarida Carrilho que trabalha neste país há
28 anos e só sobreviveu ao paludismo cerebral por um milagre. Indo ao Brasil
para tratamento, foi internada e chegou a ficar 10 dias em coma. Por isso,
procuramos sempre tomar muito cuidado com o uso do repelente que havia sido
receitado à nossa equipe pelos médicos da FIOCRUZ, o Exposis. Diga-se de
passagem, sempre era um momento de comentários e piada entre nós. Acabávamos de
tomar banho e precisávamos nos encher de veneno. Pr. Tinoco, inclusive, que
sofria com dores no braço devido a uma terrível queda que sofreu antes da
viagem, tornou-se o homem dos mil e um cremes. Passava o repelente, o Cataflan
Spray e outra pomada indicada pela irmã Sueli, enfermeira. Depois de alguns
dias nos sufocando com tantos remédios, descobrimos que os dois remédios eram o
mesmo. Mas, graças a Deus o Pr. Tinoco recuperou-se bem.

Após a conversa com o chefe da Tabanca, seguimos à outra morança e nos
encontramos com o Pr. Quissifi que é desta mesma etnia e cuida de uma grande e
abençoada igreja nesta Tabanca. É esta, também a igreja que muitos alunos e
professores do Instituto freqüentam.

Pr Quissifi

Graças a Deus, através do trabalho  iniciado pela missão WEC no país, existe uma forte igreja nacional que é  conhecida como Igreja Evangélica de Guiné-Bissau, e em muitas Tabancas já  possui pelo menos um templo.

Templo da Igreja na Tabanca

Por muitos anos, a WEC foi a única missão a
trabalhar na Guiné, não permitindo a entrada de outras agências missionárias.
Mas, há alguns anos esta exclusividade foi quebrada e chegaram outras
denominações como Assembléia de Deus, Batista, Metodista, Presbiteriana e
outras.

Terminada nossa visita, retornamos ao Instituto, com grande alegria em
poder estar neste país, tão simples e sofrido pela pobreza, sendo um dos 09
países mais pobres do mundo.

Sábado, 22, dia de folga. Saímos logo cedo de N´Tchumbé em direção a
Bafatá para nos encontrarmos com o Pr. Freddy, missionário da Junta de Missões
Mundiais da Convenção Batista Brasileira. Queríamos conhecer o tão falado
trabalho desenvolvido por 12 anos pelo Pr. Joed e sua família, pioneiros dos
batistas em Guiné-Bissau.

Da direita para esquerda: Pr Freddy, seu filho e Pr Demba

Chegamos à cidade de Bafatá, uma boa cidade, menor que a capital, mas
com muito comércio e muitas pessoas pelas ruas. Logo chegamos à base dos
batistas onde funcionam uma escola, uma clínica, uma igreja e uma rádio.
Ficamos muito felizes ao sermos recebidos pelo Pr. Freddy e pelo Pr. Denba
(primeiro fruto do ministério do Pr. Joed entre os muçulmanos), pastor da
Igreja e diretor do colégio batista.

Prédio da Educação Infantil

Estádio Esportivo

Hoje o colégio possui mais de 700 alunos,
a clínica funciona diariamente atendendo a população de Bafatá e a rádio
transmite o Evangelho todos os dias à noite.

Prédio da Rádio

Pr. Freddy nos mostrou todas as dependências e ficamos impactados com o
bom local construído e dirigido hoje pelos nacionais. Fomos informados também
que os batistas mantêm um missionário autóctone na cidade de Cabul,
desenvolvendo um projeto de alcance dos fulas, muçulmanos, já reunindo um grupo
de 22 convertidos. Oremos pelo trabalho entre os fulas, uma etnia muçulmana muito
fechada para o Evangelho.

Templo da Igreja Batista em Bafatá com Pr Demba

Conhecemos ainda o Pr. Narciso, brasileiro, da Assembléia de Deus que se
encontra em Bafatá plantando uma igreja, já com um templo praticamente
construído.

Pr. Narciso e seu filho Diego

Templo da Assembléia de Deus

Depois deste tempo precioso, seguimos para Bissau, numa viagem de
aproximadamente 3 horas. Chegamos bastante cansados e fomos diretamente para o
restaurante Papalouca, em Benfica e desfrutamos de um gostoso almoço com frango
e peixe assado. Um restaurante de propriedade de um Libanês, Adu. Mais um, dos
muitos muçulmanos que estão vindo para o país e estabelecendo negócios e
empresas.

Após nos alojarmos na base da Missão WEC, saímos para algumas compras,
especialmente de lembranças para nossos filhos e esposas.

Foi um tempo muito bom em Bissau. Muito calor, muita gente e muito
movimento marcam a realidade da capital de um país com apenas 37 anos de
independência. Falta tudo, energia elétrica principalmente. Só há energia das
19h às 22h na maior parte do país. Apenas algumas poucas regiões possuem luz
permanente. Não há transporte adequado, os táxis são para vários passageiros ao
mesmo tempo. Muita poeira, as ruas não são sinalizadas nem há estabelecimentos
comerciais adequados. Um país de portas abertas para empreendimentos e
empresas.

Vivenciamos um momento de tensão quando vimos uma correria perto de nós.
Um homem, que parecia ser policial, atirava ao ar, arrastando um jovem pela
camisa, tentando evitar que as pessoas o apedrejassem. Uma desordem total.

Algo que nos alegrou, é não haver mendigos, pessoas abandonadas. Com
toda a pobreza do país e das etnias, todos se ajudam. Quando há pouco,
divide-se o pouco com todos.

No domingo, 23, vivemos uma boa experiência com o povo. Fomos pregar em
diferentes igrejas. Eu preguei na Igreja Evangélica de Antula Paal, uma grande igreja
com mais de 3000 membros, liderada pelo Pr. Caetano com o Pr. Miguel. O Pr.
Tinoco foi pregar na Igreja Evangélica Belém com aproximadamente 700 membros, liderada pelo Pr. Tiago, e o Pr. Gerson foi à Igreja Evangélica do Bairro da Ajuda, uma igreja nova que está sendo plantada sob a liderança do Pr. Joaquim e conta com 150 membros.

Pr. Tinoco na Igreja Belem

Pr Lívio em Antula Paal

Foram experiências muito especiais. Para cada um de nós, foi um tempo de
desafio e crescimento espiritual.

À tarde retornamos ao Instituto em N´Tchumbé para nos prepararmos para a
nossa segunda semana.

Iniciamos a segunda semana com muita alegria e disposição para o
trabalho. A turma estava motivada e nós também. A semana seguiu de maneira
muito agradável, um bom clima e muita disposição.

Na quarta-feira, 26, fomos convidados para jantar na casa do Pr. Arlindo
e da irmã Sueli. Pr. Arlindo é guineense e está como o atual diretor do
Instituto Bíblico em N´Tchumbé. Sua esposa é brasileira, e possuem dois filhos,
Nathan e Gabriel. Foi uma noite muito agradável e pudemos compartilhar um pouco
da história desta abençoada família.

Irmã Sueli é enfermeira e, de acordo com as regras do país e devido à
grande necessidade, atua como médica na clínica do Instituto. Tem feito um
trabalho muito importante com as famílias das tabancas da região.

Quinta-feira, 27. Iniciamos o dia já com gostinho de despedida. Seria
nosso penúltimo dia de trabalho e já começávamos a pensar como Deus foi tão
maravilhoso conosco. Pr. Tinoco seguia com a turma nas conclusões teológicas
para Guiné Bissau. Um trabalho profundo de reflexões e questionamentos que
poderão fazer uma grande diferença na igreja cristã. Pr. Lívio seguia com as
aulas sobre missões, especialmente analisando aspectos de contextualização da
mensagem.  Foi um dia intenso de muito
trabalho.

Sexta, 28, último dia de aula. Foi um tempo muito bom. Pr. Tinoco
conseguiu concluir o tratado teológico com a participação dos alunos e, nas minhas
aulas, os alunos apresentaram trabalhos de análise missiológica para o país
que, certamente serão muito úteis para o desenvolvimento de missões na Igreja.

O almoço deste dia foi emocionante. Simão e Raquel, com o objetivo de se
despedirem, prepararam um verdadeiro banquete. Muita comida e extremamente
deliciosa. Quanta alegria para o nosso coração ver este casal jovem, com tão
poucos recursos, oferecendo uma mesa com frango, cabrito, feijão, legumes,
arroz e suco. Deus os abençoe e retribua poderosamente.

Á tarde foi um tempo poderoso com os alunos na turma. Após os
encerramentos das aulas, decidimos celebrar o “Lava pés” dos alunos. Eu e Pr.
Tinoco lavamos os pés de todos os alunos, acompanhados pelo Pr. Gerson. Foi um
tempo de quebrantamento na presença de Deus. Oramos e compartilhamos verdades
espirituais, Glória a Deus!

À noite, nossa última noite, fomos lanchar com a missionária Margarida.
Ela é brasileira e está em Guiné-Bissau há 5 anos.  Depois, seguimos ao culto de missões que o
Instituto promove com os alunos todas as sextas-feiras e nos despedimos de
todos.

Fomos ao aeroporto, sábado pela manhã. Chegamos cedo, trazidos pelo Pr.
Arlindo. Ao chegarmos encontramos o Pr. Miguel e pudemos compartilhar um pouco
sobre desafios do mestrado para Guiné. Embarcamos para Cabo Verde.  Nossa viagem foi um tanto tumultuada. Paramos
em Senegal por aproximadamente 40 minutos. Ao chegarmos em Cabo Verde, no
Aeroporto Internacional de Praia, ficamos chateados em ter que pagar novamente
o visto de entrada no país, pois já havíamos pago na ida para Guiné-Bissau. Só
em visto de Cabo Verde, gastamos ao todo US$ 240,00 (Duzentos e quarenta
dólares). Além disso, uma das malas do Pr. Gerson não chegou e tivemos que
registrar na companhia aérea.

Contudo, o tempo em Cabo Verde está sendo abençoador para nós! Contaremos
depois!

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